George Russell afirma que a Ferrari está a ser ‘tonta e egoísta’ por estar contra as alterações ao procedimento de começo de corrida.
No começo do Grande Prémio da Austrália, Franco Colapinto protagonizou um dos momentos mais surpreendentes da época até agora ao desviar-se do Racing Bulls de Liam Lawson que não conseguiu realizar o arranque da maneira desejada, deixando o piloto neozelandês virtualmente parado na grelha.
Isto naturalmente levanta questões de segurança e várias equipas e pilotos pedem que haja uma revisão deste procedimento que já tinha recebido alterações no primeiro fim-de-semana do ano exatamente por este motivo.
Segundo o The Race, não existe propriamente uma justificação para uma discrepância tão grande entre carros no arranque mas uma das justificações dadas por alguns dos pilotos é o facto de chegarem ao final da volta de formação para alinhar na grelha com uma bateria completamente descarregada o que naturalmente causa problemas nos arranques.
É aqui que entra a oposição da Ferrari. A equipa de Maranello contactou a FIA durante a época passada a levantar preocupações com o atual protocolo de arranque e a resposta da FIA foi que não haveriam alterações. Com isto em mente, a Ferrari desenhou a sua unidade de potência com um turbo mais pequeno o que permite um arranque mais previsível e rápido sem necessitar que a bateria esteja completamente carregada.
Deverá a Ferrari ser penalizada por ser o único fabricante a precaver-se?

O atual líder do campeonato, George Russell acredita que devem haver mudanças:
‘Penso que existe um erro que apanhou muitas equipas de surpresa que é o limite de ‘colheita’ de energia na volta de formação. É uma regra caricata, não sei se sabiam ou não mas em todas as voltas existe um limite.’ Afirmou Russell.
‘Os pilotos que começaram na primeira metade da grelha estavam para lá da linha de timings portanto, já estavam tecnicamente a realizar a volta. Portanto quando começas a volta de formação, já estás a gastar e carregar a bateria o que entra no limite de colheita.’
‘Enquanto os pilotos que começam na parte traseira da grelha, quando começaram a sua volta de formação e passam a linha, o seu limite de colheita dá ‘reset’ o que efetivamente os permite recarregar de maneira mais eficiente por estarem tecnicamente a começar outra volta.
‘Quando fizemos treinos para o arranque, fizemos o arranque atrás desta linha e houve o tal ‘reset’ e no arranque da corrida quando saí de pole position eu acelerei, carreguei a bateria mas consumiu-me cerca de 50% da colheita permitida por volta. Portanto quando cheguei a meio da volta já não conseguia carregar mais a bateria, não tinha potência para fazer burnouts a caminho da grelha.’
Durante o passado fim-de-semana a FIA adicionou 5 segundos ao procedimento de arranque, algo ao qual a Ferrari naturalmente se opôs e continua a opor por acreditar que equipas que não tiveram isto em mente não devem ser compensadas com alterações no regulamento por não terem acomodado estas preocupações no design dos seus projetos.
‘A FIA quer fazer potenciais ajustes mas como podem imaginar, algumas equipas que estão com bons arranques não querem que isso aconteça. É um pouco tonto.’ Disse Russell.
Existem alegadamente fontes que afirmam que uma possível solução para as preocupações de segurança de alguns pilotos é o começo da corrida na pit lane mas esta não parece uma solução realista para o desporto no geral devido ao impacto que iria ter no espetáculo e imagem da F1.
‘A FIA pode fazer alterações mas necessitam de uma super maioria, algo que não conseguem garantir. Não é difícil adivinhar que equipa é que está contra isto. Não acredito que esta questão seja o foco principal do seu desempenho. Agora todas as equipas sabem qual é o problema, podemos conduzir à volta disto mas está a criar complicações desnecessárias.’
‘Como disse, metade da grelha lidou mal com isto em Melbourne. Vamos fazer ajustes. Sabemos com o que temos de nos preocupar agora. A FIA queria facilitar a vida de toda a gente ao remover o limite de colheita. No entanto, as pessoas têm opiniões egoístas e querem fazer o que é melhor para eles e isso faz parte da Formula 1 e do desafio que é a Formula 1. Vamos lidar com isto e julgo que os arranques vão ser melhores aqui (China).’

