No meio de toda a controvérsia com a flexi-wing seria fácil assumir que seria aqui que residia a verdadeira vantagem da McLaren sobre o resto do grid, mas não é o caso.
Olhando para o primeiro stint, nota-se que havia uma diferença, assim que os pneus ganharam uma temperatura excessiva, não tivemos hipótese, os McLaren descolaram. (…)’.
Mesmo depois das tentativas de Lando Norris de acalmar todo o furor à volta do MCL39, até o britânico ja se vê obrigado a assumir que as papaias são os lideres de performance este ano, depois do sucedido em Melbourne com pole e vitória para a McLaren.
Embora a todo o ruído esteja agora à volta das asas traseiras, há um fator determinante que se demonstrou durante a corrida do passado fim de semana. Embora sejam o carro mais rápido e com uma downforce mais bem conseguida, o que tem sido o standard de todas as ‘naves espaciais’ que temos visto nos últimos anos, como o W11 ou o RB19, parece que uma das principais vantagens da McLaren este ano é como o carro que construíram gere a degradação dos pneus.
Durante a sessão de qualificação, os carros de Piastri e Norris dominaram por completo conseguindo o primeiro e segundo lugares devido à capacidade que o carro demonstrou em manter os pneus softs numa temperatura adequada enquanto os rivais lidaram com problemas de temperatura e consequentemente tração no ultimo sector do circuito de Albert Park.
Já na corrida, mesmo com um valente esforço da parte de Max Verstappen, o Red Bull não foi capaz de acompanhar o McLaren depois da volta 16 onde há uma enorme quebra no ritmo de corrida, enquanto os McLaren, embora tenham sofrido uma quebra também, não foi tão acentuada, e conseguiram até uma vantagem maior comparativamente às voltas anteriores.

Em entrevista após a corrida, Verstappen afirma que: ‘Olhando para o primeiro stint, nota-se que havia uma diferença, assim que os pneus ganharam uma temperatura excessiva, não tivemos hipótese, os McLaren descolaram. (…)’.
Toto Wolff, team principal da Mercedes partilha esta opinião e afirma que a vantagem da McLaren se devia aos pneus e que isto tinha sido demonstrado quer na sessão de qualificação que contou com temperaturas elevadas, quer com a corrida à chuva: ’O ritmo da McLaren é muito forte, algo que necessitamos de compreender é como gere os pneus e como extraem este tipo de performance (…) temos de analisar e perceber o que podemos fazer de modo a gerir melhor os pneus, é isso. Não nos faltam 20 pontos de downforce, não é esse o problema, é puramente uma questão mecânica, o que podemos fazer para encontrar o sweet spot nos pneus.’

Andrea Stella revela que um dos principais objetivos dados à equipa de design da McLaren durante o inverno foi como melhorar a gestão dos pneus, algo que tinha sido uma fraqueza para a equipa de Woking nos últimos anos, e ao que parece, acertaram na cabeça do prego: ‘ Penso que hoje vimos novamente o quão bem o carro interage com os pneus, no primeiro stint fomos capazes de abrir um espaço considerável entre nós e os outros carros, penso que não seja só sobre o carro em si, é sobre o qual gentil o carro é com os pneus.’
Esta vantagem da McLaren surpreendeu o paddock, tradicionalmente, carros que gerem bem os pneus sofrem de problemas a aquece-los, o que acabaria por ser uma fraqueza nos arranques ou em temperaturas mais baixas, mas este não parece ser o caso com o MCL39.
O team principal da Red Bull, Christian Horner sugere que possamos estar a ver algo único com o McLaren: ‘ É bastante estranho que eles consigam aquecer os pneus rápido mas sofram de uma degradação mais lenta, normalmente um destes fatores vem ao custo do outro, pelo menos neste circuito aparentam ter dominado por completo esta temática.’
Mas afinal, como é que a McLaren faz isto? Ainda não há uma resposta conclusiva mas tudo aponta para o que se passa na parte de fora dos travões, juntamente com a geometria da sua suspensão e uma posição única dos braços de direção parecem fornecer ao MCL uma capacidade extraordinária de espremer todas as gotas de performance dos pneus Pirelli.


Ainda assim, Lando Norris não demonstra estar 100% optimista que a performance demonstrada no passado fim de semana possa ser replicada nos restantes circuitos: ‘ Penso que teremos pistas onde seremos ainda melhores e pistas onde acabaremos por ter algumas dificuldades, este ano conseguimos fazer com que o carro fosse muito mais consistente em todo o tipo de circuitos, alta velocidade, baixa velocidade, downforce alta, downforce baixa, somos competitivos em quase todos, mas em circuitos com menos grip, como Las Vegas, onde tivemos algumas dificuldades no ano passado, as nossas dificuldades demonstraram-se.’
Resta saber se o segredo será descoberto pelas outras equipas, mas não há muita gente optimista relativamente a isto, incluindo George Russell que afirma que o McLaren demonstra um nível de domínio sobre a grid superior ao que a Red Bull demonstrou em 3 dos últimos 4 anos: ‘ Penso que o carro deles é capaz de vencer todas as corridas, mas não me parece que vá acontecer (…) a vantagem que eles têm este ano é maior do que a que a Red Bull alguma vez teve mas em 2023 quando o Max teve aquele carro ele era consistente e cometia poucos erros (…) espero que haja fins de semana como este em que seja possível capitalizar, porque realisticamente esta corrida devia ter sido um 1-2 para eles.’