A F1 vai voltar aos motores V8 em 2031 (se tudo correr bem), mas a FIA vai tentar mexer nos motores já para 2027, para tentar mitigar a grande maioria das críticas.
A ideia é abandonar o conceito atual de 50% de potência na parte elética, aumentado a potência do lado do motor a combustão (ICE), mudando a divisão atual de 50/50 para 60/40. Espera-se que o aumento da potência do motor e a menor exigência sobre a bateria permitam que os carros corram mais tempo no limite, com menos necessidade de gestão da bateria e resolvendo o problema de ficar sem bateria no final das retas.
Numa reunião realizada no passado dia 8 de maio, foi decidido que as mudanças devem ser implementadas já para o próximo ano, 2027, em vez de se esperar até 2028.
As mudanças principais incluem:
- Aumento de 50kW na potência do motor de combustão (através do aumento do fluxo de combustível).
- Redução de 350kW para 300kW no elemento elétrico.
- Avaliação de um aumento nos limites de recuperação de energia e baterias potencialmente maiores (de 4MJ para 5MJ).
Com este aumento significa que ficaríamos com 600cv da combustão e 400cv para a parte elétrica.
Consequências destas mudanças:
Apesar desta transição para 60/40 parecer simples na teoria, tem um conjunto significativo de obstáculos práticos e políticos:
Aumentar o fluxo de combustível, significa gastar mais e para se gastar mais será preciso os carros carregarem maior quantidade, o que significam tanques maiores. Isto poderá obrigar as equipas a terem de reformular os chassis, para acomodar diferenças de espaço e equilíbrio no carro. Com o cost cap atual torna-se dificil pedir isto às equipas, uma vez que a grande maioria delas tinha esparança de levar o modelo atual de chassis para 2028.
As três soluções em cima da mesa para ultrapassar este problema são:
- Cedência no cost cap: Dando liberdade financeira extra às equipas para desenvolverem um novo chassis.
- Redução da distância de corrida: Se os tanques não podem aumentar, então as corridas teriam de ser encurtadas em 10% para que o combustível seja suficiente.
- Solução Híbrida: Aumentar o fluxo apenas para a qualificação em 2027, mantendo os níveis atuais na corrida como um passo intermédio para 2028.
Questão Política com as ADUO:
O aumento da potência também exige redesenhar componentes. Uma vez que os motores atuais foram projetados para determinadas, temperaturas, rotações e desgaste. E isto levanta uma questão política sobre as ADUO (Additional Design and Upgrade Opportunities), o mecanismo que permite aos fabricantes atrasados (como a Honda) terem mais oportunidades de fazer upgrade ao motor este ano.
Se as regras do motor mudarem agora, as fabricantes que já terão acesso ao ADUO este ano poderão ganhar uma vantagem no desenvolvimento para 2027 relativamente aquelas que estão no topo da tabela. O problema é que se as equipas atuais ficarem sem estas opotunidades de melhoria para não ganharem vantagem para o ano, vai beneficiar ainda mais quem já está na frente. Vai ser uma situação complicada de gerir.
Além das mudanças para 2027, a FIA continua a avaliar os ajustes feitos no GP de Miami. Estão prometidas melhorias na segurança do arranque, medidas para condições de chuva e novos sistemas de sinalização visual para o Grande Prémio do Canadá.

