A federação diz que os identificou ainda antes da estreia dos novos carros, mas que as alterações que pretendia fazer foram bloqueadas pelos próprios fabricantes de motores.
Depois das críticas de vários pilotos ao comportamento dos carros em Spa-Francorchamps, onde a gestão de energia voltou a dominar a corrida, muitos questionaram como é que a Fórmula 1 chegou a este ponto.
Carlos Sainz foi um dos mais duros. O espanhol afirmou que quem viu as simulações em 2022 ou 2023 e não percebeu que existia um problema “devia rever o que aconteceu”. Lewis Hamilton também não poupou palavras, dizendo que “quem tomou essa decisão ainda continua no cargo”.
Agora, a FIA respondeu.
Nikolas Tombazis, diretor de monolugares da federação, revelou que a FIA tentou alterar vários aspetos do regulamento antes mesmo do início da temporada, precisamente para evitar os problemas que hoje se veem em pista.
“No fundo, antecipámos muitas das críticas que os pilotos estão agora a fazer. Tentámos fazer ajustes antes da estreia do regulamento, mas falhámos por causa do sistema de governação”, explicou.
O problema esteve nas regras de aprovação.
Para alterar pontos importantes do regulamento era necessário o acordo da FIA, da Fórmula 1 e de pelo menos quatro dos cinco fabricantes de unidades motrizes envolvidos no desenvolvimento das novas regras. Segundo Tombazis, esse consenso nunca existiu.
“Precisávamos da aprovação de quatro fabricantes. Simplesmente, não concordaram”, afirmou.
A consequência foi entrar em 2026 com um regulamento que a própria FIA já acreditava precisar de ajustes.
Só depois das primeiras corridas, e perante as dificuldades evidentes na gestão de energia, é que começaram a surgir mudanças. Desde Miami foram introduzidas medidas para melhorar a utilização da bateria durante as corridas e já existe também um plano para reduzir gradualmente a dependência da componente elétrica. A divisão teórica de 50/50 entre motor de combustão e bateria deverá passar para 60/40 até 2028.
Ainda assim, Tombazis admite que tudo isto podia ter sido evitado.
“É uma pena termos esperado até agora. Idealmente, estas decisões deviam ter sido tomadas há dois anos.”
Apesar das críticas, a FIA considera que o campeonato tem sido competitivo. Tombazis destaca que, embora a Mercedes tenha vencido grande parte das corridas, as provas continuam a ter muitas ultrapassagens e lutas em pista, algo que considera uma melhoria face a outras mudanças de regulamento no passado.
Mas as declarações deixam uma conclusão curiosa: a FIA diz que sabia exatamente quais eram os riscos do regulamento de 2026… simplesmente não conseguiu convencer quem tinha poder para os mudar a tempo.

