O grande destaque do fim de semana do Mónaco foram as várias penalizações que diversos pilotos receberam penalizações por excesso de velocidade na pit lane, por estarem acima do limite de 60 km/h nas boxes. Lewis Hamilton, George Russell, Pierre Gasly, Oscar Piastri e Franco Colapinto receberam penalizações durante a corrida, enquanto nos treinos livres outros pilotos já tinham sido sancionados por excederem o limite por margens mínimas.
E quando falamos em margens mínimas, estamos mesmo a falar de valores quase impercetíveis. Alguns dos casos registados foram de apenas algumas décimas de quilómetro por hora acima do permitido, algo que rapidamente levantou dúvidas sobre o que estaria realmente a acontecer.
A explicação poderá estar num detalhe da configuração do pit lane deste ano.
Durante a corrida, Alex Albon foi informado pela Williams de que as penalizações estavam relacionadas com a zona da Cadillac, localizada perto da saída das boxes. Essa área encontra-se mais aberta do que em anos anteriores e tudo indica que alguns pilotos poderão ter aproveitado esse espaço extra para fazer uma trajetória ligeiramente mais curta dentro da fast lane.
À primeira vista, parece um pormenor sem grande importância. No entanto, fez toda a diferença devido à forma como a velocidade de circulação é calculada dentro da pitlane.
Ao contrário do que muitos imaginam, a FIA não utiliza radares para controlar a velocidade instantaneamente no pit lane. O sistema funciona ao medir o tempo que cada carro demora a percorrer uma distância previamente definida entre a linha que marca o ínicio e o final desta área.
O problema é que essa distância é calculada assumindo que os pilotos seguem a trajetória normal da fast lane. Se um piloto cortar ligeiramente uma das linhas brancas e percorrer menos metros do que o previsto, o sistema interpreta que completou o percurso demasiado depressa, mesmo que a velocidade real do carro estivesse sempre dentro do limite.
Isso ajuda a explicar porque razão tantas infrações registadas ao longo do fim de semana envolveram diferenças tão reduzidas. De acordo com várias informações vindas do paddock, o tema foi discutido entre equipas e FIA durante o Grande Prémio, tendo ospilotos sido alertados para terem especial cuidado com o posicionamento do carro dentro do pit lane.
George Russell foi um dos pilotos mais afetados. O britânico seguia na luta pelos lugares da frente, mas uma sequência de penalizações durante o período de safety car acabou por o deixar fora dos pontos, terminando na 12.ª posição.
Já Pierre Gasly viveu um cenário ainda mais doloroso. O piloto da Alpine cruzou a linha de meta em terceiro lugar e parecia ter garantido um dos resultados mais importantes da sua temporada, mas duas penalizações por excesso de velocidade nos boxes acrescentaram dez segundos ao seu tempo final que, devido ao safety car e restart da bandeira vermelha, o fizeram-no cair para sétimo.
O detalhe mais impressionante é que as duas infrações registadas foram por exceder o limite em apenas 0,1 km/h e 0,4 km/h acima do limite regulamentar.

